22 de março de 2018

Kaysar: a verdadeira história do refugiado sírio do ‘BBB’, by Revista Veja.

                           
                 Kaysar, do 'BBB 18' (TV Globo/Reprodução)

Participante da 18ª edição do programa, Kaysar quer ganhar o prêmio para reunir no Brasil a família que ficou na Síria.

Reportagem de Alessandra Medina. 
https://veja.abril.com.br/


"Kaysar Dadour estava se recuperando da quinta cirurgia na perna direita em um hospital de Odessa, no sul da Ucrânia, quando ouviu uma voz, sugerindo que ele procurasse os primos no Brasil. “Não foi simplesmente uma intuição. Parecia alguém falando muito alto mesmo”, contou ele aos amigos. 
Mudar-se para o Brasil era o fim de uma temporada de cinco anos de sofrimento naquele país. 
Seis meses antes, o ora participante do Big Brother Brasil 18 voltava do trabalho quando deu de cara com uma gangue nacionalista e foi espancado por carregar um crucifixo no pescoço. Acabou com a perna direita quebrada em quatro partes e o braço esquerdo, em três. Sem contar aos pais sobre a agressão, ligou para casa, em Alepo, na Síria, e pediu o contato de Abdo Abage, cônsul honorário da Síria do Brasil e primo da sua mãe, a dona de casa Diane.
Abdo enviou uma carta para a embaixada do Brasil na Ucrânia pedindo ajuda para liberá-lo. Um mês depois, em junho de 2014, Kaysar, finalmente, desembarcava no aeroporto de Curitiba. Foi recebido por outro primo, Nassib Abage. Os dois não se viam fazia anos, mas lembravam de se encontrar em jantares de família. “Os pais dele eram muito alegres e, sempre que ia visitá-los, faziam questão de promover uma festa. Passávamos a noite dançando ao som de bandolins”, lembra o primo.
Os pais – que não veem o filho pessoalmente há mais de oito anos, estão acompanhando o BBB pela internet. ‘A mãe dele acha que o Kaysar está rebolando muito’, diz o primo.
Sem saber direito dos costumes do parente distante, os irmãos Abage decidiram hospedá-lo num apart-hotel. Como o aluguel era caro, cerca de 15.000,00 reais por ano, dez meses depois decidiram que ele moraria na casa de Nassib. Solteiro e sem filhos, o caçula dos irmãos Abage mora numa confortável casa de dois andares no centro de Curitiba. Reformou o último piso e construiu um apartamento de dois quartos com 100 metros quadrados para Kaysar, de 28 anos. Como sabe da paixão do primo por esportes, Nassib fez uma vaquinha entre os sete irmãos e montou uma academia para o hóspede em um dos quartos. Dono de uma rede de lojas de matériais elétricos com a família, Nassib também garantiu uma mesada de 1.800 reais por mês.

Fluente em árabe, inglês, francês, grego, russo e ucraniano, Kaysar aprendeu rápido o português. Em cinco meses, também já falava o idioma. Para facilitar a sua adaptação no Brasil, adotou o nome de César. 
Matriculou-se no curso de hotelaria do Centro Europeu na esperança de conseguir um emprego na área. “Ele era esforçado e vivia de bom humor. O que me chamou atenção nele é que era muito correto. Sabemos que o curso era caro e oferecemos uma bolsa de 50%. De vez em quando, conversávamos para saber se estava tudo bem e ele dizia que estava conseguindo pagar a mensalidade. Ele poderia pedir para aumentarmos o desconto, mas nunca fez isso”, diz José Ost, presidente-executivo da escola.

Foi no curso que Kaysar conheceu a empresária Stephanie Keller. Dona da "Tão Tão Distante", empresa de animação que oferece atores trajados como os personagens das histórias infantis para diversos festas e outros tipos de eventos, chamava o colega de turma para dar uma ajuda e ganhar um extra. 
“Ele é exatamente como na TV: sempre alegre. Já chegava de manhã, brincando com todo mundo e rebolando sempre que colocávamos música nas aulas. Como tem bom físico, logo percebi que poderia interpretar o Homem-Aranha”, conta ela. Além do super-herói adolescente, Kaysar se vestiu de Olaf, o boneco de neve do filme Frozen, como o Príncipe da Branca de Neve e de Aladdin. Por cada trabalho, ganhava 110 reais. 
“As crianças o adoravam porque ele gostava de brincar de o tudo. Uma vez ficou chateadíssimo porque não o deixaram descer em uma tirolesa, pela idade e peso.”
Kaysar, do ‘BBB 18’, fantasiado de Aladdin.  (Instagram/Reprodução) 

Kaysar, do 'BBB 18' (Instagram/Reprodução)
Quando terminou o curso, em dezembro de 2016, fez inscrição para trabalhar como garçom no hotel Intercity de Curitiba. Num bate-papo com uma colega de trabalho, ficou sabendo das inscrições do reality show da Globo. Quando soube que o prêmio era de 1,5 milhão de reais, ficou com os olhos brilhando. “Falei que era difícil ser escolhido, porque muita gente queria participar. Mas ele ficou meio obcecado pela ideia. Espalhou cartazes dizendo que queria entrar para o programa. Era uma espécie de mantra para ele”, lembra Nassib.
Kaysar agarrou-se na possibilidade de entrar para o BBB porque sabia que dificilmente teria condições de juntar dinheiro para bancar a saída dos pais da Síria. 
Além do emprego de garçom e dos bicos nas festas infantis, também adestrava aves silvestres para ter renda extra. “Ele contava que tirou dois papagaios da depressão. Os bichos viviam tristes e ele ensinou truques novos e os devolveu felizes aos donos”, conta outra amiga do curso, Aline Heeren. 
Apaixonado por bichos, era comum encontrá-lo nos finais de semana no parque Birigui com milho para dar aos patos. 
Em casa, tem um papagaio chamado Habibi, e uma calopsita, a Pirata. Testemunha de uma temporada de fossa, Pirata aprendeu a cantar uma música em russo que ele costumava ouvir para matar as saudades da namorada que deixou na Rússia.

Em Alepo, cidade da Síria, Kaysar levava uma vida de classe média alta. O pai, Georges Dadour, era representante no país de uma famosa marca de cosméticos alemã. A mãe, Diane Meramo Dadour, não trabalhava. 
KAYSAR com a irmã nos tempos felizes na Síria.
A irmã, Celine, hoje mora em Beirute, no Líbano, onde estuda Ciências Políticas. Segundo a família brasileira, ela fugiu no porta-malas de um táxi para não ser estuprada. 
Kaysar precisou deixar o país aos 20 anos para não se alistar no exército e escapar à guerra. Fugiu pelo Líbano, mas seu destino era a Ucrânia, onde receberia a ajuda de um amigo. Quando chegou a Odessa, porém, não conseguiu contato com ele. Alguns anos depois, descobriu que o tal amigo havia morrido de câncer. Sem ter onde se hospedar, passou dias dormindo, literalmente, embaixo de uma ponte. Até conseguir emprego como gari e, com o dinheiro do salário, alugar um quarto em uma pensão. Para pagar o aluguel, também ajudava na limpeza do lugar.
Uma noite, voltando do trabalho, deu de cara com uma gangue nacionalista. Kaysar usava um crucifixo no pescoço. Ao perceberem que Kaysar era sírio e cristão, começaram a agredi-lo. Foi salvo por vizinhos que o reconheceram e o levaram para o hospital. 
“Ele sofreu muito nessa vida. Tanto que não sabe chorar. Quando está triste, ele grita, mas grita muito mesmo”, conta Nassib. 
O sírio também é do tipo que fala pouco sobre a vida pessoal. Namorada séria no Brasil só teve uma, uma estudante de Direito chamada Tatiane que se mudou para Portugal para fazer mestrado. Se não gosta muito de conversar, em compensação e bem ao estilo árabe, adora escrever poesia. Não larga um caderno coberto de textos de sua autoria, em árabe e russo.
                 Kaysar, do 'BBB 18' (Instagram/Reprodução)

Confinado no BBB, o sírio conta com uma equipe de oito pessoas para administrar suas contas nas redes sociais. Ninguém ganha nada pelo trabalho. A mais prestigiada é a Kaysar Dadour no Instagram, com 1 milhão e 800 mil fãs. 
O sírio perdeu um pouco o prestígio pelo namoro com a cearense Patrícia, eliminada na semana passada com 94,24%, o maior índice de rejeição em paredões triplos do BBB. 
“O número de seguidores aumenta ou diminui de acordo com o que ele faz dentro da casa. O relacionamento com a Patrícia foi ruim para ele, sim, depois que ela saiu, a torcida voltou a crescer”, diz Aline Heeren, uma espécie de coordenadora da equipe de internet de Kaysar. Entre os famosos que já manifestaram apoio ao brother, estão Giovanna Ewbank, o casal Sophia Abrahão, Sérgio Malheiros, e o youtuber Whindersson Nunes.
Kaysar fantasiado de Homem Aranha, rodeado pelas crianças que o adoram.

Kaysar parece que sabe que precisa chamar a atenção do público. A cada semana, surge com um visual diferente. Já cortou o cabelo várias vezes, raspou a sobrancelha e a cabeça, num visual que lembrava o de Ronaldinho na Copa de 2002.
Na semana passada, pegou mal o jeito descontraído como dançou com a cantora Anitta. Alguns internautas (harters) acusaram maldosamente o sírio de assédio. Ao saber disso, a própria cantora veio em defesa a Kaysar, pondo fim na discussão, dizendo que não havia acontecido nada demais, que gostou muito da festa e que tinha sido muito bem tratada por todos.

Os pais – que não veem o filho pessoalmente há mais de oito anos, estão acompanhando o BBB pela internet. “A mãe dele acha que o Kaysar está rebolando muito”, diz Nassib. “Eu entendo essa queixa dela porque lá isso não é comum. Ele é jovem, só está fazendo o que as pessoas da idade dele fazem.”
Kaisar ama animais. Na foto com um cão que passeava com o dono.


Os animais sentem a energia boa de Kaysar, não o estranham

Bom, como estão vendo, não preciso ver PPV para saber ótimas notícias sobre Kaysar, o único participante que me interessa no BBB18, o único a quem dedico uma imensa admiração, não apenas por ele ser um refugiado traumatizado pelos horrores da guerra, lutando para reunir a família. Mas e principalmente pela pessoa íntegra, de caráter irretorquível, de esmerada educação, dotada de uma assombrosa generosidade e gentileza, além de ser dotada de uma grandeza de alma e de uma pureza de coração raras nos dias de hoje e inexistentes nos que ainda restam na casa. Faço uma exceção apenas à Jéssica, Paulinha e Breno, boas pessoas, leves, alegres, educadas e alto astral. 
Parecem duas bonequinhas , como as que eu tinha na infância.

Não me interessa mais comentar nada sobre os demais participantes, não me interessa vê-los na minha telinha destilando veneno, xenofobia, preconceito e falsidade.
Daqui por diante, naquela casa de energia tão pesada, tão nefasta e umbralina, o que vai ser visto é cobra engolindo cobra, uns se voltando contra o outro, embriagados pela cobiça e pela ganância de agarrarem o prêmio milionário. É disso que quero estar fora. É isso que não quero mais ver, para não deixar que sentimentos mesquinhos de raiva, de rancor e de repulsa invadam meu espírito. 
E digo mais, estou ansiosa para ver Kaysar no paredão desse domingo, como Wagner está planejando mandá-lo. Quatro votos ele já tem, e que vá com o próprio Wagner em um paredão duplo.  

Adorei essa merecida reportagem da Veja sobre Kaysar

Sônia Abrão, dizendo que estão querendo denegrir a imagem do kaysar, que ele é a melhor pessoa do BBB 18, e está passando o vídeo que a Gleici fala que não quer que o Kaysar ganhe. Disse que isso é muito feio, muito triste, que jamais deveriam agir assim.

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