17 de março de 2016

Jogo que segue!



Simpatizei por Ronan, desde a primeira prova de líder, achei simpático o jeitinho animado, divertido e empenhado em animar os parceiros a aguentarem o tranco até a vitória. Ele era quem animava os mais cansados, encorajava os sonolentos e fazia estrepolias para mantê-los acordados. Evidentemente, ganharam a prova e a primeira liderança. Depois, deu-se aquele pesado conflito envolvendo o rapaz. Era difícil saber, de imediato, onde estava a verdade das acusações contra ele, levantadas pelos outros três líderes que tiravam o corpo fora, fugiam das responsabilidades e jogavam o lixo todo sobre o rapaz negro, feio, gordo e pobre. 

Aos poucos fui percebendo a falsidade e a covardia dos três bundões que o escrachavam. Daí para comprar a causa de Ronan foi um passo. Todavia a decisão definitiva de apoiá-lo e defendê-lo veio após ler acusações horríveis, injuriosas e demolidoras de sua imagem, de sua honra e da sua dignidade. Chocaram-me profundamente o empenho em destruí-lo e a insistência em rotulá-lo como ladrão, desonesto, mau caráter e outros impropérios de igual gravidade, sem provas que evidenciassem tais acusações. 
A partir daí, não me era possível ficar indiferente a Ronan. Hoje, estou feliz, leve e gratificada por ter enxergado as qualidades dele, sua alma boa, sua lealdade e apoio aos parceiros, sua integridade moral e a dignidade com que encarou os percalços das primeiras semanas. 
Se o BBB16 tem uma história, esta teve início e vai terminar com Ronan. Ana Paula foi a grande e definitiva protagonista da edição, jogou-se com paixão no jogo, desgastou-se emocionalmente e sucumbiu aos embates justiceiros que abraçou. 
Ronan poderia ter sucumbido bem antes dela. Foi marginalizado, olhado de viés dentro da casa e fuzilado pela artilharia pesada dos seus detratores, fora da casa. Excelente leitor do jogo, ele percebeu que a trama que dava vida à história do BBB16 gravitava em torno do seu grupo e suas vitórias em sucessivos paredões. Só que em vez de perder-se no turbilhão das intrigas e falsidades, ele soube tirar proveito das situações. Hoje, tem fortes possibilidades de sair campeão do BBB16 e milionário. Que fantástica história de vida: de órfão morador de rua a finalista do BBB16. Admirável Ronan! 
Ana Paula conquistou a minha simpatia, quando não virou as costas para Ronan, aproximou-se dele, quis saber a sua versão dos fatos no tiroteio dos bundões conta ele, sentiu sua sinceridade e acreditou nele, tornando-se sua parceira leal até o seu último momento na casa. É a Diva absoluta mesmo! Mostrou ter grandeza de alma, prodigalizou generosidade e afeto aos seus parceiros. 
Li um texto estupendo sobre Ana Paula, escrito por Letycia, comentarista do blog PilotandoTV. Transcrevo-o aqui para deleite de quem soube perceber o fenômeno Ana Paula. 


“Não posso falar pelos outros, mas talvez ao falar de mim possamos entender um pouco melhor o fenômeno. Nunca votei no programa BBB, o ultimo que assisti foi o da Grazi e torcia pelo Jean, parei de acompanhar completamente com o Dourado ganhando, pois meu lado feminista não conseguiu compreender a paixão de todos por aquele personagem. Daí esse ano me vi lendo coisas horríveis sobre uma tal de Ana Paula e fui conferir (pagando pay per view inclusive) e me apaixonei pela loira fora dos padrões. Acho que foi mais a surpresa que fez com que o fenômeno acontecesse, muito provavelmente outra igual não terá o mesmo efeito. Estamos acostumados com mulheres boazinhas, que tampam os lábios ao sorrir, que formam casais e sofrem por amor…todas personagens femininas tinham o mesmo apelo até hoje e do nada surge uma mulher que, em muito, nos remete (principalmente nos defeitos) aos personagens masculinos. Sempre associamos esse lado masculino à força e foi aí que a Ana jogou com muita sabedoria, ela se fez, aos olhos de todos, forte, mesmo sem saber de muita coisa. Ela quebrou o paradigma. Ela deu força, transparência, lealdade e até mesmo candura, à figura feminina, muitas vezes associada à características bem menos complexas…e em ser assim (mulher real e não estereotipada) ela provocou catarse nas mais diversas mulheres que se viram representadas de forma complexa e real. Ela não é a mulher que fazia drama, teatro, ela não se importava com pequenas coisas, ela jogava abertamente, ela formou aliados e teve profunda inteligência em sua escolha, não teve medo do julgamento do público, nunca fugiu dos paredões, tentou apenas escolher seus adversários. Também não concordo com o tapa, acho apenas que ser aquela pessoa era pesado demais até para ela e ela foi sim vitima dela e das maquinações dos outros, porque eles a provocaram e deveriam ter pagado por isso também. Mas foi isso, ela perdeu mas marcou aquele programa justamente por ser inovadora e extremamente carismática. Ela se fez famosa e querida pelo mesmo motivo que se fez eliminada, por ser igual à muita gente e não ser, em nenhum momento, bidimensional”. 

Se Renan não tivesse sido tão medroso, ou se soubesse ler o jogo, como Ronan sempre soube, poderia ter se tornado o antagonista que a edição (e a Diva absoluta) precisavam, para fazer do BBB16 uma movimentada e inesquecível edição… Mas, cada um só dá o que tem, e Renan não tinha a mínima vocação para vencedor, não tinha jogo de cintura para encarar o antagonismo de Ana Paula, enfim, não soube jogar. Vestiu a fantasia do bom moço melindroso, um misto de machãozinho e bananão, um mero Don Franjon chiliquento que correu para o colinho de Boninho por causa de dois tapinhas de mulher. Ao contrário de Ana Paula, ele não percebeu que um reality show é sobretudo e principalmente entretenimento!

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