23 de fevereiro de 2016

Ana é sua própria Ana (By Susan Mello)




Ana não é perfeita e nem tenta nos convencer de que seja. Talvez essa seja uma das suas grandes qualidades, além do fato de se jogar por inteira no jogo. Com ela não existe meio termo, não existe o morno e nem o frio. É calor absoluto da paixão. E esse é o grande calcanhar de Aquilles daqueles que a combatem porque querem fazê-lo se escondendo pelos cantos, tramando um jogo miúdo que prima mais pelas palavras do que por atos que os façam crescer aos olhos do público. Eu sei que o paredão desta semana não é nada fácil, mas Ana não briga nesse paredão com uma adversária que tenha feito uma bela trajetória ou se afirmado como protagonista no jogo. Ana briga com ela mesma, briga com a rejeição que construiu por ser tão intensa.
O embate que temos é se a onda de aceitação de seu jogo chegou num ponto que a sustente na casa e a faça seguir adiante. Existem muitos indícios que sim, o bordão do “olha elaaaaaa” que virou moda, sua torcida que cresceu muito desde seu primeiro paredão, os hits de funk e forró feitos em sua homenagem. Ana virou onda crescente, rumo ao alto, enquanto seus adversários se recolheram num jogo pequeno e sem expressão. Para combater Ana, Juliana e Cia escolheram o jogo das palavras, a tentativa de convencimento do público pelo discurso e isso os coloca numa posição extremamente contraditória. Porque fazem o mesmo que acham que Ana faz, mas tentam convencer o público que não o fazem de maneira nenhuma.

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A primeira a colocar dois amigos para se enfrentarem no paredão foi a Juliana quando decidiu esquecer sua cisma com Ronan jogando Ana no fogo para que a casa fosse no Ronan. Tudo bem, segundo ela, assim o fez para se defender e defesa é um fator válido no jogo. Na semana seguinte quando o outro lado contra atacou tentando colocar Daniel e Tamiel no paredão, também para se defender, Juliana e sua trupe se revoltaram com o absurdo de ver dois amigos na disputa da semana. Como assim? E a amizade de Ana e Ronan? Não conta? Eu acho que aí está implícita uma enorme arrogância e soberba. Existe nessa negação de Juliana e sua turma uma olhar depreciativo em relação à Ronan e Ana. Na opinião deles, eles nada são, são uns merdas cujos sentimentos não têm o mesmo peso que seus próprios sentimentos. Eles são melhores do que Ana e Ronan, portanto, não merecedores de sofrer no jogo.
Eu vejo a casa do BBB dividida entre dois grupos, um que tem suas diferenças e seus defeitos, mas que tem seu brilho e com condições de brigar pelo prêmio com paredões memoráveis mais para o final e outro que se esquivou na escuridão e na fofoca, num jogo menor repleto de inveja e contradição. Renan, que era um cara que muito prometia, meteu os pés pelas mãos quando se juntou à Macholândia. Aliás, a Macholândia foi o fator de perdição de muitos nesse jogo. O mesmo nós podemos dizer da Juliana, uma jogadora que prometia alegria e que acabou se destruindo em sua submissão aos homens da casa, em sua participação nos jogos de fofoca, depreciação e intriga.
Adélia seria perniciosa em qualquer grupo. A gente só tem a agradecer o fato de ela ter se encantado com a submissão ao jogo masculino e por isso não ter tirado o brilho de quem tem muito a oferecer ao jogo. Adélia desfaz a nossa ideia de que é melhor manter os inimigos por perto. Adélia, amiga ou inimiga, o melhor é manter a maior distância possível, pois ela é destruição em seu mais alto grau. E, Tamiel, o intelectual, que foi vendido como possibilidade de um bom papo e altos debates filosóficos, acabou numa atuação tão ou mais binária do que aqueles que ele assim julga. Tamiel, o cara que deveria ter largos horizontes se aprisionou numa armadilha que nenhum intelectual decente deveria cair, a da luta do bem contra o mal.
Enfim, Juliana entra nesse embate sem brilho próprio, sem nenhuma história de protagonista. Ela se fez coadjuvante e não sei que espaço os coadjuvantes têm na vitória desse jogo. Se hoje o embate contra ela não está sendo fácil, é por absoluta falta de ter um representante digno que canalize a insatisfação com Ana Paula, que represente àqueles que não concordam com Ana e que vão abraçando o que tem pra hoje para tentar combatê-la. Esse paredão da Ana não é nada fácil porque ela não briga contra Juliana, ela briga com ela mesma, com seus defeitos, com sua intensidade, com a rejeição que seu temperamento explosivo criou em parte do público que a assiste. Como diz Ana, ela briga com sua própria Ana.
Portanto, o paredão hoje é de Ana contra Ana, por isso sua torcida terá que se desdobrar para levá-la à vitória esta semana. Esta Ana patricinha, arrogante, segura de si, que chamou o jogo e bateu no peito gritando que lhe mande o próximo. Mas também essa Ana que emociona, que nos faz chorar junto com ela, amiga, leal, carinhosa, preocupada com o bem estar dos amigos, exuberante, que não tem medo de errar, que como ela mesma disse, que mete os pés pelas mãos, mas cuja coerência no jogo é inabalável e inquestionável, até mesmo pelos seus piores inimigos. Sua torcida terá que lutar por essa Ana, por essa mulher que, junto com os amigos Munik e Ronan, criou o fio condutor da história desta edição, por essa mulher capaz de atitudes nobres e que quer apenas ser feliz!

Autora: Susan Mello (De Cara Pra Lua)
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