22 de junho de 2017

A Força do Querer...


Hoje quero comentar o elenco feminino da novela de Glória Perez, A Força do Querer. 
De início, não me entusiasmei com a trama, aos poucos fui captando o ponto forte da história, com um elenco grande demais e tão diversificado, especialmente em termos dos perfis sociais, das diferenças entre personagens e seus valores, mas unidos por um ponto comum que salta aos nossos olhos: quase todas as mulheres têm temperamentos fortes, têm personalidades marcantes e singulares, têm atitude e são donas dos seus belos narizes. Dentre estas três se destacam, todas inseridas no grupo que integra a classe C, gente simples: Jeiza, Bibi e Ritinha. 
Glória Perez colocou no centro da história essas três mulheres de muita fibra e com personalidades completamente distintas que aos poucos estão criando laços entre si, laços de amizade ou de rejeição. 
Ritinha (Isis Valverde), Bibi (Juliana Paes) e Jeiza (Paola Oliveira) são os principais nomes da trama. Porém algo tem chamado atenção e raramente acontece ser proposital. Com exceção da personagem de Paola que interpreta uma policial, Ritinha e Bibi estão não estão conseguindo agradar o público noveleiro. Isto pode ser observado através da repercussão nas ruas e nas redes sociais. Acredito ser verdade, porque esta está sendo a minha experiência com as duas. Não me agradam nem um pouco. 
A idiotice de fazerem da sonsa Ritinha uma sereia, além de sem sentido, pouco agradou desde a estreia. Junte-se a essa bobageira o fato dela (grávida) ter largado o marido, logo após a cerimônia de casamento e fugiu com Ruy. Aí configurou-se o perfil leviano e superficial da falsa sereia. 
A personagem pobre, humilde e completamente sem modos e sem educação tem se saído na verdade grosseira, teimosa, fútil, egoísta e arrogante. Até mesmo Joyce, a sofisticada sogra, que a princípio dava indícios que sofreria uma certa rejeição pelo seu jeito rude com a protagonista, tem ganhado cada vez mais apoio do público, pelo menos quando se trata de sua nora. Ritinha é um ser deslocado naquela família classe A, refinada e com valores opostos ao da desmiolada que fisgou o fraco Ruy. 
Do outro lado temos Bibi cuja história é baseada em uma mulher que se transformou numa traficante na vida real. Este núcleo começou de forma discreta, mas tem dominado e dado ritmos aos últimos capítulos. A forma cega como Bibi acreditou no marido, mesmo diante de tantos indícios que mentia, e a forma histérica como reagiu ao pensar que estava sendo traída, com a possibilidade de Rubinho ser realmente culpado foi completamente desproporcional. A personagem é intensa de forma exagerada, histriônica e arrogante. 
Aguardo sua passagem para a Bibi traficante, a ousada, a excelente aprendiz de bandidagem do marido. Há quem ache que talvez a personagem consiga reverter a opinião do público e entrar para o seleto grupo de vilãs amadas, se é possível amar gente ruim. Se por enquanto não dá para gostar da personagem, não será depois de bandida que irá conquistar o público... Não gostei de Bibi desde o primeiro capítulo, ela encarna um tipo de mulher vulgar demais para meu gosto. É ciumenta demais, barraqueira, pegajosa, dissimulada e ardilosa. Sua atitude pondo fogo no restaurante para encobrir os crimes do marido, dá conta do mau caráter dela. 
Já Jeiza é a heroína, forte, independente, responsável e que vive uma relação tumultuada, de idas e vindas, com Zeca. Entre eles paira o fantasma de Ritinha. Jeiza vem agradando por sua postura de durona, ao mesmo tempo feminina, sensual e doce. Destaque para a brilhante atuação de Paola, ela certamente fez um ótimo laboratório e convence a qualquer um. 
Todavia uma delas consegue invadir o sofisticado mundo da classe A: Ritinha. Mais precisamente a vida de Joyce, a granfina, estilosa com valores inteiramente contrapostos aos da caipira grossa, sem modos, arrogante, irresponsável e egoísta. 
Ritinha é quase uma selvagem, crua, voluntariosa, superficial em seus quereres, mais emotiva e sensível. Uma bomba explosiva. Vive como um bichinho selvagem, sem pensar, sem preocupação com outra coisa que não seja a sua forte vontade e prazeres. Sutilmente manipula Zeca e Ruy, prendendo-os à sua gritante sensualidade de ninfeta sem consciência dos estragos que provoca na vida das pessoas. Criada numa vila atrasada ribeirinha, sempre andou de pés no chão, usando as roupinhas bregas das habitantes do lugar, compradas nos artesanatos da feira. Ela, em sua rudeza, tem seus encantos, sensualidade, e atrai o desejo dos homens. 
Ritinha, noiva de Zeca, encanta Ruy, rapaz rico, pegador, da cidade grande, noivo de Cibele, uma garota linda, rica de muito apreciada pela mãe dele. Ritinha faz quase uma polaridade com a sogra, tão grande são as diferenças entre elas, tão opostos são os valores que cultivam que não há chances delas se harmonizarem, são vidas que se conduzem qual linhas papalelas. O problema é que ambas são mulheres com personalidades fortíssimas e indomáveis. Joice entra em choque com Ritinha, ao querer transformá-la em uma mulher chic, elegante, classe A. Missão impossível. Fracassos em todas tentativas de transformar a ferinha indomável de Parazinho numa mulher da alta sociedade, nulos todos os esforços para convencê-la a não se expressar com o chulo vocabulário dos seus conterrâneos, que tanto choca Joyce. Há cenas que chegam a ser hilárias, com Joice se esforçando para ensinar Ritinha a se vestir com roupas de marca, discretas e de bom gosto, compradas pela por ela, bem como para fazê-la entender que as expressões “arre égua”, “Vixe”, “ frescando” e outras, não são bem vistas na sociedade a qual a família pertence. Ritinha tem topete! É rebelde! Não se dobra as ordens de ninguém, não admite se sentir presa, tampouco que o marido a controle. Ruy, como todos os homens da trama é fraco diante da força da mulher. 
Joice vive um drama: o de ver seus filhos seguirem por caminhos totalmente opostos aos que ela sonhou para eles, gerando com isso choques, conflitos e distanciamentos. A filha Ivana foi criada para ser uma top model, uma moça chic e sucesso na sociedade dos ricos. Todavia, a mocinha é o oposto de tudo quanto a mãe planejou para ela e tentou fazê-la assumir. A garota odeia o próprio corpo, rejeita as roupas femininas, especialmente a lingerie, os babadinhos e rendinhas. Prefere usar as roupas do irmão, não se arruma, rejeita maquilagem e vestidos. Aí tem! Acredito que a moça seja transexual, ainda sem consciência disso. 
Cibele, a noiva abandonada por Ruy tem uma personalidade fortíssima, ferida por ter sido preterida por Ritinha, vai à forra, toma atitudes atrevidas e nada ortodoxas, para vingar-se do ex-noivo, deixando o pai e a ex-sogra impotentes diante da força destruidora e vingativa da garota. 
Joice, para aumentar ainda mais seus tormentos, ainda tem pela proa a vilanzinha da trama, Irene, disposta a conquistar seu marido que, apesar de amar a esposa, não resiste à impetuosa luxúria da intrusa Irene. O intenso poder de sedução desta e sua absoluta falta de escrúpulos são a mola propulsora para conseguir o que quer. A vilã coloca sua vontade e o seu desejo acima de qualquer coisa. Falsa, ardilosa, manipuladora, chantagista e maldosa, invadiu o espaço de Joice, se fez de amiga íntima e indispensável. Claro que já fisgou o marido da outra, um homem fraco, inseguro, carente e facilmente manipulável pela mocinha com ares de ingênua. 
Silvana, uma boa pessoa, jogadora compulsiva, apesar de vigilância do marido, perde imensas quantias no jogo e, a partir daí, mente para o Eurico, inventa desculpas mirabolantes e, assim, vai driblando a fiscalização do machão. De certo modo ela gera comicidade à trama, com suas peripécias. Silvana tem na empregada sua confidente e cúmplice para ajudá-la a sair dos graves problemas que cria com dívidas. O problema do vício do jogo está bem abordado na trama. 
Aguardo que Glória comece a transformação de Ivana e sua libertação do corpo feminino que não aceita e a faz sofrer. Esse é outro problema que precisa ser abordado em novelas, bem explicado, resolvido. Do mesmo modo, espero que a autora desenvolva o caso do motorista de Eurico, que é travesti. É necessário que as pessoas comecem a compreender essas delicadas questões de gênero, parem de querer tapar o sol com peneira e aceitem a realidade sexual humana de forma mais generosa, tolerante, inteligente e fraterna. Chega de intolerância com gays, lésbicas, transexuais e outras diferenças de gênero.


Hoje, será o encerramento do Power Couple Brasil, quando saberemos quem são os 3 finalistas e qual será o casal vencedor. Torço pela linda Nayara e Cairo.

5 comentários:

Cecília Novaes disse...

Então Eva, o interessante dessa novela é justamente não girar em torno de um casal, mas em torno de 3 protagonistas. Sim, protagonistas porque mocinha não tem nenhuma. Rita faz o que der na telha sem pensar nas consequências. Queria ir pro Rio. O noivo babaca não queria deixa-la, então tá, foi mentir pro carioca rico que o filho era dele. É inconsequente e manipuladora (quase uma emilly araújo hehe talvez um pouco menos má). Bibi é uma mulher cega de amor que não queria aceitar que o marido é criminoso. Na ânsia de proteger seu macho, acaba tomando o lugar dele no tráfico. E mulheres que fecham os olhos pros erros do macho é o que mais existe...Já Jeiza é a de melhor caráter entre as protagonistas, porém longe de ser uma mocinha típica. É de personalidade forte e não deixa ninguém passar por cima.
Em tempo: sim, Ivana é transsexual.

disse...

Sim, a novela está repleta de mulheres com personalidade forte e homens fracos.

É verdade que Ritinha é quase uma Emilly - menos má, porém igualmente inconsequente.

Assim como você, Eva, não gosto nadica da Bibi. Há algo na personagem que me provoca aversão.

Sinto empatia pela Joyce. Não é fácil.

E sim, Paola Oliveira convence no papel com essa dualidade crível.

Mas a minha personagem predileta, cuja atuação está irretocável, é a Zezé Polessa no papel de Edinalva. Ela representa com maestria a mulher nordista, coquete, sensual, livre, espontânea. É em muito quem mais me diverte. O linguajar reproduzido com naturalidade e perfeição. Um encanto. Leve, divertida, inconsequente.

disse...

Voltei para dizer que a novela não me prende. Assisto vez ou outra, mas gosto muitíssimo das mães da trama - todas muito humanas, com erros e acertos, zelosas e amorosas, ao seu modo. Encantadoras, do meu ponto de vista.

E reforço que o personagem da Bibi me causa muito mal-estar. Não desperta empatia. Mas infelizmente, quase 50% das mulheres encarceradas estão nessa condição porque se deixaram envolver por um amor bandido. Um dado triste e real.

disse...

Opis: "Nortista".

disse...

Eva,

Feliz com a vitória do casal Globeleza. Foi um marco na história dos RS no Brasil, especialmente em tempos de histeria coletiva. Inúmeras vezes eu deixei claro que o atrativo para mim não são barracos homéricos e baixarias, nem mulheres que se vendem como mercadoria em fim de feira.

Nayara e Cairo são um refrigério. Um casal coeso, coerente, honesto, assertivo, que se posicionam com firmeza , sempre que necessário, mas não são apelativos. Demonstram genuíno cuidado um com o outro, respeito e admiração mútuos.

Se há algo que a vida me ensinou é que você não pode casar com alguém a quem você não admira e não respeita profundamente. A maioria se apaixona por quem o outro será após o seu processo de remodelação. E não é assim que a banda toca. É dificílimo mudar a nós mesmos, corrigir características indesejáveis. Imagina então mudar o outro, tendando modelar o parceiro para um molde totalmente desnatural! É esse sentimento fortíssimo de inadequação que os casais Regiane/Fábio, o casal Blau Blau, Frak/Marcelly transmitem. E isso é profundamente desconfortável. Eis o grande diferencial do casal vencedor: eles são placidez, calmaria, encantamento. Além de tudo isso foram um modelo de retidão de conduta com os parceiros de confinamento. Parabéns, casal!!!!! Usem com sabedoria o prêmio. Vocês mereceram.