30 de maio de 2017

Entrevista supimpa com Rômulo Neves!

Um dos tipos mais originais a participar de um “BBB”, o diplomata Rômulo Neves já voltou à vida normal e garante que tudo está como havia deixado antes de entrar na “casa mais vigiada do Brasil”. Além do trabalho no Itamaraty, ele tem aproveitado os dias de folga para promover um livro de poesias que lançou no ano passado, “Terminal”, e falar a plateias sobre os temas de seu interesse – “valores, posturas, sobre como a gente pode ter um Brasil melhor a partir das nossas atitudes”. 
Candidato a deputado federal em 2018 pela Rede, Rômulo esteve em São Paulo no Dia das Mães e aproveitou para autografar o livro na Reserva Cultural. Foi lá que conversou com o UOL sobre a sua experiência no “BBB”. Falou que a produção ficou chateada com a sua postura “antijogo” e que chegou a pensar em abandonar a casa, mas pensou: “Vou estragar a brincadeira de 50 milhões de pessoas?” 
Rômulo fala, também, sobre como viu o desempenho de alguns colegas: “Muita gente saiu queimada”. Disse que ficou “surpreso” com o comportamento de Marcos na reta final, que levou à expulsão do médico, e que viu muita gente atuando no programa. “Funciona”. Abaixo, os trechos principais da conversa: 
Voltei há um mês, para a mesma mesa, para a mesma posição. Sou chefe da divisão de Oceania. Eu estava trabalhando em duas reuniões grandes antes entrar no “BBB”. Durante a minha ausência, as reuniões foram marcadas – uma para 10 dias depois da minha volta e outra para 20 dias depois. Então, o primeiro tipo de contato que tive com meus colegas foi exatamente o mesmo tipo de contato que eu teria antes do “BBB”. Foi um choque anafilático. Muita gente que poderia imaginar que o primeiro contato comigo seria com um ex-BBB viu que foi com o mesmo Rômulo que era antes.

COMO FOI PARAR NO BBB?
Quando eu fui abordado, em Brasília, eu falei “não”. Eu estava chegando no futebol quando um casal me abordou. Primeiro, não acreditei. Tinha cara de pegadinha. Fui para casa, falei para minha mulher, ela também não acreditou. Comecei a pensar: se eu der aula até os 80 anos eu não vou atingir um décimo do público que eu poderia alcançar se eu atingisse 1% da audiência do BBB. Falar sobre valores, sobre posturas, sobre como a gente pode ter um Brasil melhor a partir das nossas atitudes. Quando eu vou conseguir falar com um porteiro de prédio? 

CÁLCULO DE VANTAGENS
Dou aula porque gosto de formar gente. Gosto de influenciar as realidades onde estou inserido. Acredito nisso. É piegas, é idealista, mas isso sou eu. Quando me foi oferecida a oportunidade de falar com esse tanto de gente e falar isso… E tenho uma carreira política em Brasília. Mas isso não pode prejudicar? Pode ajudar. Não vou passar vergonha. Não vou falar besteira e vou ter exposição, pensei. É muito mais provável que isso me ajude do que me atrapalhe.

PERIGOS DA EXPOSIÇÃO
O maior medo é as pessoas saírem de lá queimadas – e isso aconteceu. Pode até ter sido um sucesso no mundo do show business, mas do ponto de vista da credibilidade tem muita gente ali que saiu muito queimada. Não achava que isso ia acontecer comigo, e não aconteceu. 

CANDIDATURA EM 2018
Desde que eu saí do governo do Distrito Federal e do PSB, em fevereiro de 2016, comecei a organizar minha candidatura à deputado federal em 2018. Me filiei à Rede. Isso independentemente de BBB. Eu falei isso lá. Eles sabiam. 

POR QUE FOI SELECIONADO 
Não sou ingênuo. Ter um diplomata no elenco era um elemento que chamava a atenção. A imagem pública do diplomata, longe da realidade, é de uma figura glamurosa que nunca participaria do BBB. Eles sabiam também que eu fazia triatlo, escrevia poesia, tinha um programa de rádio. Era um perfil que interessava. Na entrevista, eles viram que eu era uma pessoa mais ou menos normal, que não ia despirocar, mas que tinha potencial de ter conflito. Eu disse: “sou uma pessoa paciente, mas transparente”. Pensaram: “esse cara vai perder a paciência”. Não foi isso que aconteceu. 

NÃO FOI BOM PARA O PROGRAMA
Concordo totalmente. Eles ficaram muito chateados. No primeiro mês, o Tiago teve que falar ao vivo para as pessoas exercerem os seus defeitos. E nesse dia eu fiquei muito revoltado. Não só o que ele falou (sobre a organização) da cozinha. Eu passei o primeiro mês dirimindo conflitos. Inseri um joguinho que baixa a tensão (o chamado “Golpinho”, uma versão de um jogo chamado “Coup”). Tenho total noção de que para a audiência tradicional não foi bom. Mas esse não era o meu objetivo central. 

“SER CORRETO NÃO É CHATO”
Pode atrapalhar o jogo, dependendo do tipo de promessa que você fez para o seu interlocutor. Não fui eu que foi atrás. Eles me chamaram. O que eu tenho a oferecer é isso. Vai ter uma parte do público que vai gostar. 
O que eu ofereci, em parte, era o que eles queriam. Primeiro, um perfil diferente do tradicional, um diplomata. Fizeram propaganda disso. Não sou bobo. Segundo, o fato de eu ser um anti-BBB foi utilizado na narrativa para tentar me vilanizar. Isso é útil pra narrativa. Essa utilidade eu tive. Quando eu percebi lá dentro que teria chances de isso estar acontecendo, pensei: já deu, já posso ir embora. Quando eu percebi isso? Quando o Pedro foi eliminado. O que estava sendo mostrado aqui fora era um pouco diferente do que estava acontecendo lá dentro. Quando percebi isso, deu. 
Cheguei a pensar em pedir para sair. Mas ia contra uma coisa minha. Eu aceitei entrar. Não era mais benéfico para mim continuar, mas eu tinha aceitado entrar. Vou estragar a brincadeira de 50 milhões de pessoas? 
As figuras de “vilão”, “injustiçado”, “perseguido” estavam sendo montados de um jeito diferente do que ocorria lá. Não tinha nenhum coitado, nenhum perseguido, ninguém que era vítima de nada. 

A EXPULSÃO DO MARCOS
Nenhuma surpresa. Zero surpresa. O que eu via lá eram alianças pragmáticas para participar do processo BBB. Isso inclui popularidade, marketing, as estruturas que funcionam no programa – casal, vilão, personagem antagônico e tal… Eu tive a impressão que essas pessoas tinham estudado o BBB muito bem. 
A violência foi surpresa. Não achei que fosse chegar a tanto. Mas, mesmo a partir da violência, o que aconteceu depois, o uso da violência como parte da disputa ali, tampouco foi surpresa. 
Quem é vítima? Quem denuncia? Quem usa? Quem não usa? E depois, “como era coitadinha”, “eu amava”… Isso é script. E dá certo. Funciona. As pessoas sabem que funciona.
“Falem mal, mas falem de mim” é um negóc
io que funciona. Não que tenha sido planejado bater em alguém, mas quem quer viver uma vida normal depois de ter passado pelo BBB? Poucos, né? 
Nosso amigo médico teria alcançado resultados muito parecidos sem precisar chegar a tanto. Rola realmente uma falta de inteligência emocional de olhar para os seus resultados e perguntar: “Eu quero chegar aonde? O que eu preciso fazer para chegar lá? Eu preciso passar uma determinada linha?” Para o programa, é ótimo (sair do script). Mas é um pouco de crueldade… Se não houvesse isso, não teria tanta audiência. 
As pessoas gostam do drama, do conflito, mas não querem isso perto de si. Elas gostam do drama na terceira pessoa. E aí está a crueldade. As pessoas esquecem que aquele drama é de alguém, é real. As pessoas podem até viver o programa como personagens, mas aqui fora sofrem como gente real, passam vergonha, são cobradas aqui fora. Se o participante tivesse consciência disso, talvez não topasse encarnar um personagem com tanta veemência. 

PRESENÇA VIP
Estou fazendo um filtrozinho. Que evento eu topo? Eventos que tenham algum significado com as atividades que eu faço. Me chamar para uma festa onde não conheço as pessoas, o tema não me diz respeito, me pagar uma grana e o cara chegar e me pedir: “Dança igual você dançava lá no BBB”. Esse tipo de evento educadamente eu digo que não dá. Não vou correr esse risco. 

BALANÇO
Recebi muitos retornos legais. Valeu a pena. Valeu a pena não entrar na onda, fazer uma outra coisa, ser chamado de chato, “o cara tá estragando o programa”. Tudo bem. Mas para algumas pessoas, valeu. Foi bom. (Foi ótimo, Rômulo! Você, Ilmar, Ieda, Daniel, Marinalva, Pedro e Vivian fizeram a diferença! Saíram de cabeças erguidas, sem máculas no nome.)

Fonte: UOL Notícias



9 comentários:

Anônimo disse...

Não fui fã de Rômulo no BBB, acho que ele pecou pela arrogância em algumas atitudes que ele teve, mas mesmo assim reconheço o valor dele. Infelizmente ele não soube usar a enorme inteligência que o mesmo tem para tentar reverter o jogo a favor dele e de seus aliados. Ele sacou o jogo nefasto que Emilly e Marcos estavam fazendo, mas ao invés que dar corda para os dois se enforcarem (fazendo as máscaras dos mesmos caírem mais cedo, e os ditos cujos posteriormente morrerem intoxicados com seus próprios venenos) o mesmo acabou dando munição ao jogo de vitimização deles, o que infelizmente fortaleceu a torcida fanática dos mesmos e tirou a chance de vitória dos outros participantes. Desejo muita boa sorte a Rômulo, que o mesmo saiba conduzir a sua vida pessoal e profissional com a sabedoria e serenidade de um diplomata.

Anônimo disse...

Eu gostava do Rômulo. Um cara inteligente, que falava coisas inteligentes. Aliás, o único motivo que me fez assinar o ppv foi as conversas do trio.
Abs!

disse...

Concordo inteiramente com as colocações do Rômulo. Eu já havia lido a entrevista. Acho de uma crueldade extrema e perversa essa coisa de querer o conflito levado às últimas consequências em nome da diversão. Tiro , porrada e bomba - mas sempre na terceira pessoa(assim é mamão com açúcar) - como bem colocou o diplomata. Certamente aqueles que amam um alto nível de stress em RS tem um quê de sadismo. Isso não é normal nem saudável, embora cada vez mais usual. Os conflitos são inerentes às relações humanas, mas não precisam ser exacerbados nem expor seres humanos a um enredo tipo novelinha ou filme de bang-bang. Não curto, não sinto prazer e lamento por quem se dispõe a se expor nessa proporção como se não houvesse amanhã.

Anônimo disse...

Eu não sou público do BBB porque não gosto desse tipo de programa, exatamente pelo o quê disse Rômulo sobre a manipulaçâo da maldade, na entrevista acima. Mas como eu me mantive parte desse público? Quando, de passagem, de um canal para outro, vi um ataque da histriônica Emylli (isto deu à ela o prêmio. Baixaria dá ibope), e o programa ja estava da metade para o final. Mas aquilo que rolou ali foi inédito nesta última edição, como Rômulo, também. Foi antagônica a coisa toda até a saída dele. E toda a situação vivida por ele, fez-me acreditar que a lisura, a honestidade e a inteligência poderiam vencer aquela baixaria toda regida pela produção do programa, que fomenta no povo brasileiro o aquilo que temos de pior.
Saber que teremos um candidato a deputado federal em 2018 como ele é um pequeno avanço - mas um avanço -, diante de um sistema político ancestral, chamado, cleptocracia.
Rômulo, um grande abraço para você.
;)

Anônimo disse...

Se você estiver falando do trio confination das primeiras semanas, na verdade as partes interessantes daquele trio sempre foram Ilmar (com seu lado bem humorado e pirracento) e Rômulo (com sua perspicácia e visão ampla). Marcos sempre foi um "pavão" que quis dar uma de humildade e intelectual no início, mas que foi revelando aos poucos a sua verdadeira personalidade maligna. Eu mesmo torci para ele até a quinta semana do programa, mas sempre algo nele me incomodava um pouco e soava falso e forçado (acho que foi isso que nunca me levou a torcer fortemente por ele), até que ele foi se mostrando cada vez mais quem era de verdade: arrogante, falso, prepotente, machista, desleal e desequilibrado. Era para Ilmar e Rômulo terem feito trio com Pedro, e de quebra levarem Vivian com eles, aí sim seria um grupo bastante interessante que daria gosto de torcer por todos.

Anônimo disse...

Era o trio confination que eu gostava sim. Eu nunca gostei do Marcos, no sentido das torcidas, mas fiquei esperando ele mostrar pq se dizia quase um ser iluminado kkkkk. Já o Ilmar, eu sempre torci, apesar de algumas escorregadas (errar é humano). E ainda hoje eu curto tudo que ele posta no face. Aliás, ele está com os dentes novos, caramba, melhorou muito.
Abs.

Cecília Novaes disse...

Mas como ele poderia dar essa corda?

Anônimo disse...

Eu tbm gosto de Ilmar até hoje, acho ele divertido, inteligente e até carismático. No jogo ele deu umas escorregadas, principalmente quando se juntou ao casal nojo, mas no final se recuperou de novo. Se não fosse pelas torcidas fanáticas daquele casal fake entojado, ele com certeza iria para a final e a única pessoa que poderia ganhar dele seria Vivian (com certeza em outros tempos ele e Vivian disputariam o primeiro e o segundo lugar). Já Marcos, eu me iludi com ele de início, por causa da máscara de "humilde" e "sábio" que ele estava usando e talvez por achar que algumas pessoas estavam pegando pesado com ele (como foi o caso de Manoel, Mayara, Luiz Felipe e Roberta), mas eu sempre notei algo nele que não condizia com aquilo que ele estava querendo dizer que era, e isso começou a ficar claro na quinta semana quando ele não deu o "anjo" (que na verdade não era anjo, mas ele não sabia disso na hora que anunciou a sua decisão) para Ilmar e deu para Rômulo, por um motivo ridículo. A partir dali eu perdi qualquer simpatia que eu tinha por ele, e passei apenas a tolerá-lo por causa de Ilmar, que infelizmente acreditava cegamente na amizade daquele crápula por ele. Mas com o passar do tempo ele (Marcos) foi se esquecendo de usar a máscara dele, aí foi revelando cada vez mais a sua personalidade nefasta. Hoje eu tenho asco dele (bem mais do que eu tenho por Emilly, que é outra pessoa horrível), e nem consigo ler ou ver entrevista nenhuma dele de tanto nojo que eu tenho de olhar para a cara dele e ouvir sua voz.

Anônimo disse...

Cecília, eu acredito que a "corda" que Rômulo poderia dar para Emilly e Marcos se enforcarem seria fazer o oposto ao que eles queriam. Os dois perceberam que não estavam agradando as outras pessoas da casa e, com isso, aproveitaram para fazer um jogo de vitimização intenso que fez uma grande parcela das pessoas daqui de fora ficarem com pena dos mesmos e enxergarem os que estavam contra eles como vilões. E infelizmente Rômulo e Roberta exageraram na forma de demonstrar que estavam contra os dois (eles estavam certos em não gostar de Marcos e Emilly, pelo que os dois estavam fazendo na casa, mas as condutas deles infelizmente configuraram perseguição), e isso acabou prejudicando, por tabela, Vivian, Ieda e Pedro (que eram do mesmo grupo) e, mais tarde, Ilmar, Marinalva e Daniel. O certo era Rômulo e seus aliados não armarem artilharia de forma "pesada" contra o casalzinho dissimulado e assim não deixando os mesmos se valerem do joguinho de vitimização, assim Marcos e Emilly poderiam ter suas máscaras arrancadas mais cedo (pois a arrogância dos dois vinha à tona facilmente quando os mesmos estavam em situações de liderança e imunidade). Talvez se isso tivesse acontecido, a torcida fanática do casal não tivesse se tornado tão numerosa, e participantes com grande potencial, como Vivian e Ilmar, poderiam ter crescido em torcida a ponto de desbancar o casal fake.