24 de dezembro de 2014

Natal...

O poema "Natal" , de Fernando Pessoa, foi publicado em  dezembro de 1928, no Diário de Notícias Ilustrado (Portugal). Trata-se efetivamente de um tocante poema evocativo da época natali
na.
Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
S´tou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!

Mas a evocação que Pessoa faz é triste e melancólica. Isto porque o Natal é o período por excelência das reuniões familiares e Pessoa está só e sem família. A primeira estrofe do poema reúne esses mesmos sentimentos tão estranhos ao poeta: os "lares aconchegados" e "os sentimentos passados". Ele imagina as famílias na província, reunidas, conseguindo na sua unidade familiar continuar as tradições natalinas.
Na segunda estrofe, o poeta já não consegue esconder o que ele próprio sente perante essa visão das famílias reunidas, em tranquilidade. O coração de Pessoa não se reconhece nesses sentimentos, ele está "oposto ao mundo", na medida que ele próprio está afastado dos outros, só e frio. 

Nenhum comentário: