14 de junho de 2014

Ainda sobre os xingamentos à Dilma...




O ex-presidente Lula, no ápice da cretinice, não só disse que Dilma tem “cara de pobre” como reclamou que não havia um só “moreninho” no estádio durante a abertura da Copa, confessando que o governo gastou bilhões dos trabalhadores para uma festa exclusiva das “elites”. Mas não é bem assim. 
Eis aí o “moreninho” que Lula queria! Segundo sua ótica racista, ele deve ter “cara de pobre” também. Mas de pobre o homem não tem absolutamente nada! É ninguém menos do que Desiré Delano Bouterse, líder militar socialista do Suriname, acusado, entre outras coisas, de participação no tráfico de drogas. Vejam a importância do homem pela proximidade da presidente Dilma: 
Bouterse foi uma figura de destaque na guerra civil ocorrida no Suriname após a independência, e é responsável pelos célebres “Assassinatos de Dezembro”, de 1982, e de eventos semelhantes na aldeia quilombola (Marron) de Moiwana, em 1986. Desde então foi acusado por diversas vezes de envolvimento com o tráfico de drogas; em julho de 1999 foi condenado in absentia nos Países Baixos por tráfico de cocaína. O país europeu emitiu um mandado internacional para a sua prisão, o que tornou praticamente impossível que ele abandone o Suriname, que por sua vez não pode extraditá-lo por ser um ex-chefe de Estado. 
É isso aí. O que dizer a mais? Lula já tem um “moreninho” para chamar de seu, e com certeza ele não participou da vaia direcionada à presidente Dilma. Não! Pelo contrário: o cara só tem a agradecer ao PT por lhe dar a oportunidade de se fingir de chefe de estado importante, em vez de um traficante de drogas condenado pelos Países Baixos. Cada um com seus camaradas. 
Mas: diga-me com quem andas que te direi quem és…
[...]
A marca registrada da esquerda é sua hipocrisia, seu duplo padrão de julgamento moral [...]. Ela veste a máscara do conservadorismo apenas quando lhe interessa, resgata valores morais que costuma massacrar com seu relativismo somente quando é conveniente. Foi exatamente o que aconteceu em relação às vaias e aos xingamentos direcionados à Dilma na abertura da Copa.
Mas não deixa de ser irônico, e um tanto asqueroso também, ver a esquerda se fazendo de pudica, de chocada com a “agressividade” e a “falta de respeito” dessas “elites”, que não respeitam nem as crianças no estádio. Ó, céus! Essa gente não tem limite para tanta cara de pau? Flávio Morgenstern fez um pedido lógico a essa turma em sua página do Facebook:
[...] reclamem que vaiaram (eu vaiei do meu sofá), digam que não gostaram e façam o mingau de mimimi de sempre, estamos acostumados. Mas não digam que não pode, que tem uma norma oculta que diz que se manifestar contra a Rainha da Nação é prova de fascismo, que está nas leis, que é tradição da sociedade para proteger a família e a propriedade ou outras desculpas mais amarelas que o cartão que a Dilma tomou. 
Apelar para a vitimização é o que o PT sempre soube fazer. Mas Lula passa sempre de qualquer limite. Ele disse que as vaias foram “a maior vergonha que o país já viveu”. Que despautério! Esqueceu-se o baixinho do escândalo do Mensalão? Isto sim foi a maior vergonha que o país viveu! 
A mesma esquerda que faz um ensurdecedor silêncio quando Joaquim Barbosa é xingado de tudo que é coisa, retratado como escravo açoitado em blog que usa o nome da presidente, e até ameaçado de morte; que enaltece bailes funks cuja espantosa baixaria ocorre diante da presença de adolescentes, como se não houvesse problema algum; que aplaude vândalos mascarados que não respeitam a ordem ou a polícia; que justifica os crimes de invasão do MST com base na “justiça social”; que jamais cobrou investigação maior sobre a morte de Celso Daniel; que vibra com as paradas gays que praticam crimes de atentado ao pudor só porque é coisa de “minorias”; etc.; essa esquerda vem agora simular uma indignação moral com um palavrão em um estádio de futebol?
Essa turma cobra dos demais um padrão de comportamento que ela mesma ignora, não segue, rejeita. Isso é falsidade, hipocrisia, autoritarismo. O canalha que é acusado de ser canalha não se importa, mas ele mesmo pode acusar o outro, honesto, de ser canalha no menor deslize ético, como se fosse o bastião da moralidade. Haja canalhice em tal comportamento!
Portanto, ilustres esquerdistas que demonstram uma afetação pudica seletiva agora: saibam que nós podemos condenar o excesso, a escolha dos termos, a falta de sensibilidade para com as crianças presentes no local. Não vocês! Vindo de vocês, os mesmos que nunca se importaram com os piores xingamentos direcionados a FHC, isso é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais. Não cola! 

Reuni aqui parte de dois artigos escritos por Rodrigo Constantino, colunista da revista VEJA. 

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